A JORNADA DAS ESCRITURAS E OS PERIGOS DAS TRADUÇÕES MODERNAS

 A JORNADA DAS ESCRITURAS E OS PERIGOS DAS TRADUÇÕES MODERNAS

1.        MANUSCRITOS ANTIGOS DA BÍBLIA

Total Geral de Manuscritos Bíblicos

1.1. Antigo Testamento (em hebraico): cerca de 42.000 manuscritos (incluindo fragmentos, códices e cópias medievais).

Idioma original: Hebraico (com algumas partes em aramaico)

·          Principais fontes manuscritas: Manuscritos do Mar Morto (Qumran) – 1947–1956.

o    Data: 250 a.C. a 70 d.C.

o    Local: 11 cavernas em Qumran, próximo ao Mar Morto (Israel).

o    Abrange: Todos os livros do AT, exceto Ester. Contém cópias mais antigas do texto hebraico, como o Rolo de Isaías (c. 125 a.C.).

·          Texto Massorético (TM) fixado entre os séculos VIX d.C.

o    Manuscritos principais:

§   Codex Leningradensis (1008 d.C.) mais antigo manuscrito completo do AT.

§   Codex Aleppo (c. 930 d.C.) contém a maior parte do AT.

1.2. Novo Testamento (em grego): mais de 5.900 manuscritos gregos.

Idioma original: Grego coiné.

Quantidade total de manuscritos gregos:

·          Papiros: ± 150

·          Unciais (maiúsculos): ± 320

·          Minúsculos: ± 2.900 ○ Leccionários: ± 2.400

·          Total aproximado: 5.800 a 5.900 manuscritos gregos

1.3. Outros manuscritos: mais de 20.000 traduções antigas (latim, siríaco, copta, armênio, etc.).

2.        CLASSIFICAÇÃO TEXTUAL DO NOVO TESTAMENTO

2.1. Texto Crítico (Alexandrino)

Características: Manuscritos mais antigos, com leitura mais curta, precisa e concisa. Valorizados por estudiosos modernos.

·          Principais manuscritos:

·          P52 (c. 125 d.C.) – fragmento de João 18. Encontrado no Egito.

·          P66 (c. 200 d.C.) – Evangelho de João. Egito.

·          P75 (c. 175–225 d.C.) – Lucas e João. Egito.

·          Códice Vaticano (B) – c. 325–350 d.C. Preservado na Biblioteca do Vaticano.

·          Códice Sinaítico (Aleph) – c. 330–360 d.C. Descoberto no mosteiro de Santa Catarina, Monte Sinai.

·          Códice Alexandrino (A) – c. 400–440 d.C. Londres.

2.2. Texto Majoritário (Bizantino)

Características: Leitura mais longa, harmônica, e comum entre manuscritos medievais. Base para a maioria das traduções tradicionais.

·          Predominância: 85-90% dos manuscritos gregos conhecidos.

·          Período predominante: Séculos IX a XV.

·          Localização geográfica: Império Bizantino (Grécia, Ásia Menor, Balcãs).

3.      TRADUÇÕES DA BÍBLIA – LISTA CRONOLÓGICA DETALHADA

Tradução

Data

Idioma

Base Textual

Observações

Septuaginta (LXX)

250–100 a.C.

Grego

Texto hebraico pré-massorético

Tradução do AT por judeus helenistas em
Alexandria.

Vetus Latina

2º–3º séc. d.C.

Latim

Texto grego do NT

Primeiras traduções para o latim, variadas e não padronizadas.

Peshitta

c. 150–250 d.C.

Siríaco

Texto Bizantino inicial

Versão oficial da Igreja Síria.

Vulgata Latina

382–405 d.C.

Latim

Texto hebraico (AT) + grego (NT)

Feita por Jerônimo. Tornou-se a Bíblia oficial da Igreja Católica.

Codex Argenteus

c. 520 d.C.

Gótico

Texto Bizantino

Tradução do bispo Ulfilas.

Tradução de Wycliffe

1382

Inglês

Vulgata Latina

Primeira tradução completa da Bíblia para o inglês.

Texto Recebido

1516–1535

grego

Texto Bizantino / Vulgata

usou entre 5 a 7 manuscritos gregos bizantinos, e a Vulgata Latina

Lutero

1522–1534

Alemão

Texto Recebido (NT), TM (AT)

Tradução protestante pioneira.

Tyndale

1526 (NT)

Inglês

Texto Recebido

Executado antes de completar o AT.

Bíblia de Genebra

1560

Inglês

Texto Recebido / TM

Influente entre os reformadores.

King James Version (KJV)

1611

Inglês

Texto Recebido (NT) / TM (AT)

Padrão protestante por séculos.

Reina-Valera

1602

Espanhol

Texto Recebido / TM

Equivalente espanhol da KJV

Revised Version (RV)

1881–1885

Inglês

Texto Crítico (NT), TM (AT)

Primeira revisão com base em manuscritos
antigos.

Revised Standard Version (RSV)

1952

Inglês

Texto Crítico (NT), TM (AT)

Uso acadêmico e eclesiástico.

Almeida Revista e Corrigida (ARC)

1956

Português

Texto Recebido / TM

Tradução tradicional brasileira.

Almeida Revista e Atualizada (ARA)

1975

Português

Texto Crítico / TM

Estilo mais moderno

Nova Versão Internacional (NVI)

2000

Português

Texto Crítico / TM

Tradução contemporânea e acessível.

Bíblia King James Atualizada (BKJA)

2011

Português

Texto Recebido / TM

Atualização da KJV em português

Nova Almeida Atualizada (NAA)

2017

Português

Texto Crítico (NT), TM (AT)

Manutenção do estilo clássico com base crítica.

3.1.           Considerações sobre o Texto Recebido (Textus Receptus)

·          Baseado no Texto Bizantino.

·          Compilado por Erasmo de Roterdã (1516), com base em poucos manuscritos do século XII em diante.

·          Texto Recebido (Textus Receptus, em latim, “texto recebido por todos”) é o nome dado à edição impressa do texto grego do Novo Testamento usada durante a Reforma Protestante.

Base textual das traduções protestantes clássicas:

·        Lutero (1522) – Alemão

·        Tyndale (1526) – Inglês

·        Geneva Bible (1560) – Inglês

·        King James Version (1611) – Inglês

·        João Ferreira de Almeida – Português (NT em 1681)

·        Usado por séculos por igrejas reformadas, batistas, pentecostais e outros grupos protestantes tradicionais.

3.1.1.     Fontes Manuscritas Utilizadas

·          Erasmo usou entre 5 a 7 manuscritos gregos bizantinos, todos do século XII ou posteriores.

·          Todos pertenciam à família do Texto Bizantino.

·          Nenhum deles continha o Novo Testamento completo, então Erasmo precisou:

§  Consertar lacunas (como no final de Apocalipse) traduzindo do latim (Vulgata) para o grego.

§  Harmonizar textos divergentes por seu próprio juízo

·        Não foram usados manuscritos antigos como:

o   Papiros (P52, P66, P75, etc.) – descobertos depois, nos séculos XIX e XX.

o   Códices importantes (Sinaítico, Vaticano) – Erasmo não teve acesso ou os desprezou por considerá-los “corrompidos” por copistas alexandrinos.

3.1.2.     Evolução Do Texto Recebido

Principais edições posteriores:

·        Erasmo 1516–1535   5 edições. A partir da 3ª (1522), inclui 1 João 5:7 com a “Comma Johanneum” (passagem trinitária).

·        Robert Estienne (Stephanus) 1546–1551 Introduziu divisão por versículos. A 1550 é uma das mais influentes.

·        Theodore Beza 1565–1604 Sucessor de Calvino, produziu várias edições influentes na KJV.

·        Elzevirs 1624, 1633 A edição de 1633 cunhou a expressão "Textum ergo habes nunc ab omnibus receptum", de onde vem “Texto Recebido”.

3.1.3.      Características Do Textus Receptus

·         Conservador: Mantém harmonizações litúrgicas e adições de tradição oral.

·         Inclui variantes tardias, como:

o   1 João 5:7 (“Comma Johanneum”) – ausente nos manuscritos gregos mais antigos.

o   Marcos 16:9–20 e João 7:53–8:11 – preservados integralmente, mas omitidos ou marcados com dúvidas em edições críticas modernas.

·         Aceito pelos reformadores: Por séculos, foi considerado o texto padrão do NT grego.

4.      VARIANTES EM MANUSCRITOS

1. 1 João 5:7-8 – “Comma Johanneum” (Testemunho Trinitário)

·         Texto Recebido (TR)  “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra…”

·         Texto Crítico (CT)       “Porque três são os que testificam: o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes.”

·         Texto Majoritário (MT)         Igual ao CT. O “Comma Johanneum” não aparece em manuscritos gregos antigos.

> Observação: O trecho trinitário é encontrado apenas em alguns manuscritos latinos medievais, não nos gregos anteriores ao século XVI.

2. Marcos 16:9-20 – O Final Longo de Marcos

·         Texto Recebido (TR)  Inclui Marcos 16:9–20 como parte do texto inspirado.

·         Texto Crítico (CT)       Coloca o trecho entre colchetes ou com nota crítica, indicando ausência nos manuscritos mais antigos (Vaticano e Sinaítico).

·         Texto Majoritário (MT)         Inclui normalmente.

> Observação: Os dois manuscritos mais antigos e importantes (Vaticano e Sinaítico) terminam em Marcos 16:8.

3. João 7:53–8:11 – A Mulher Adúltera (Pericope Adulterae)

·         Texto Recebido (TR)  Inclui normalmente.

·         Texto Crítico (CT) Coloca com nota ou entre colchetes; ausente nos manuscritos mais antigos.

·         Texto Majoritário (MT) Inclui, embora com variações em localização em alguns manuscritos.

> Observação: O trecho não aparece nos papiros mais antigos e aparece em diferentes lugares em manuscritos bizantinos (alguns colocam após Lucas 21).

4. Atos 8:37 – A Confissão de Fé do

·         Texto Recebido (TR)  “E Filipe disse: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.”

·         Texto Crítico (CT)       O versículo está ausente.

·         Texto Majoritário (MT)         Está presente em poucos manuscritos bizantinos.

> Observação: Esse versículo aparece em poucos manuscritos gregos (alguns do século VI em diante) e em versões antigas como a Vulgata.

5. Mateus 6:13 – Doxologia do Pai-Nosso

·         Texto Recebido (TR)  “...Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.”

·         Texto Crítico (CT)       Omite essa doxologia.

·         Texto Majoritário (MT)         Inclui normalmente.

> Observação: A doxologia está ausente nos manuscritos mais antigos (como o Sinaítico e Vaticano), mas presente na maioria dos bizantinos.

6. Apocalipse 13.18 – a marca da Besta

Nº da Besta

Forma Grega

Manuscrito / Fonte

Século

Grupo Textual

Observações

666

χξϛ

P47 (Chester Beatty III)

III

Alexandrino

Confirma a leitura tradicional

666

χξϛ

Codex Sinaiticus (א)

IV

Alexandrino

Manuscrito completo do NT

666

χξϛ

Codex Alexandrinus (A)

V

Alexandrino

Grande códice uncial

666

χξϛ

Codex Porphyrianus (P)

IX

Bizantino

Confirma tradição bizantina

666

χξϛ

Minúsculos em geral

IX–XV

Bizantino

Majoritariamente 666

666

χξϛ

Irineu de Lyon

II

Patrística

Defende 666, rejeita 616

616

χιϛ

P115 (Papiro Oxyrhynchus 4499)

III

Alexandrino

Variante muito antiga

616

χιϛ

Codex Ephraemi (C)

V

Misto / Alexandrino

Algumas edições trazem 616

616

χιϛ

Codex Claromontanus (D)

VI

Ocidental

Apoia 616

616

χιϛ

Vetus Latina (algumas cópias)

IV–VI

Ocidental

Algumas versões trazem 616

646 / 660 / outros

-

Variações menores

Indeterminado

Diversos

Leituras acidentais

5.      METODOS DE TRADUÇÕES:

Existem dois métodos de tradução, um é chamado de equivalência formal,

onde é transmitida palavra por palavra do idioma original para o idioma o qual está se

traduzindo.

O outro estilo de tradução da bíblia é chamado de equivalência dinâmica. Neste método não é traduzida palavra por palavra do texto, mas é examinado o sentido do que aquele texto quer passar e assim traduzem-se de forma mais adaptada, como se alguém estivesse montando uma paráfrase, por exemplo. Este é bem o caso da tradução na Nova Linguagem de Hoje (NTLH).

É sustentado por muitos estudiosos da Bíblia que o nome equivalência dinâmica por si só já é uma contradição, pois equivalência significa contínuo, imutável, e dinâmica significa em constante mudança. Portanto, usa-se um método ou outro para traduzir a Bíblia.

As traduções da Bíblia do Texto Recebido utilizam o método da equivalência formal,

enquanto que as traduções que usam o Texto Crítico como base utilizam a equivalência

dinâmica.

Pode haver um certo “perigo” no método de equivalência dinâmica, já que os tradutores não estão traduzindo palavra por palavra, mas estão escrevendo o sentido do que os textos bíblicos querem passar. Algumas interpretações podem acabar sendo do próprio tradutor(es), e não o que realmente está escrito no texto original.

Nas comparações dentro dos versículos bíblicos, que você verá mais abaixo, poderá

constatar exemplos claros do que estou dizendo.

6.      DIFERENÇAS EM TRADUÇÕES:

·         Uma boa parte do diálogo de Jesus com Paulo é omitido em Atos 9:4-6 nas versões da Bíblia baseadas no Texto Crítico.

·         As versões da Bíblia baseadas no Texto Crítico parecem não concordar com a doutrina da Trindade e com a unidade divina de Cristo com o Pai. Há uma polêmica muito grande sobre a parte b de 1 João 5:7

·         Em João 1:27 apenas as versões KJF, ACF e a ARC (clique para ler) trazem a afirmação de que Jesus já existia antes de João Batista, ou seja, isto confirma a divindade de Cristo, pois como o Mestre nasceu de Maria 6 meses depois do nascimento de João Batista, o apóstolo João não poderia falar de seu nascimento na carne, mas sim de sua divindade e eternidade. Veja a omissão desta frase nas versões da bíblia NVI, NTLH, ARA, NAA, KJA.

·         Em Romanos 14:10 a unidade de Cristo com o Pai é mais uma vez negada/omitida, pois a frase “todos compareceremos perante o tribunal de Cristo” é trocada por “todos compareceremos diante do tribunal de Deus” nas versões NVI, KJA, ARA, NAA, NTLH.

·         Em 1 João 4:3 na ARC, por exemplo, está escrito: “e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus”, assim também é na KJF e ACF (essa afirmação “que Jesus Cristo veio em carne” quer dizer que Ele já existia antes mesmo de ter nascido, e é o próprio Deus antes de vir ao mundo conforme concorda João 1:1 e 1 Timóteo 3:16); agora leia-o na ARA, por exemplo: “e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus” (embora no versículo 2 seja dito que Ele veio em carne); seria isto uma tentativa de negar a divindade e a unidade divina de Jesus Cristo com o Pai?

·         Em João 1:3 as versões modernas da Bíblia dizem que Deus (Jeová) criou todas as coisas por meio da Palavra, isto é, de Jesus. Isto dá a entender que Jesus não foi diretamente o Deus Criador de todas as coisas, mas sim que Deus criou todas as coisas por intermédio de Cristo.


Por: Fernando Lemos de Souza - Bacharel em Teologia; pós-graduado em Teologia e Práticas Pastorais; Pós-graduado e Gestão e Inteligência em Segurança Privada.

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